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só pra não esquecer
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Neo-Neandertais Cyberpunks
Somos vítimas de nós mesmos.
Nossa inépcia em lidar com a nossa ferramenta de sociabilização (a própria sociedade) é tão gritante que o produto final só poderia ser esse mesmo: um amontoado de pessoas angustiadas, cegas sobre suas próprias qualidades e funções.
Aliás, essas mesmas funções já são um furada em si mesmas, porque um rótulo social, ainda que necessário, é sempre castrador.
Você já pensou sobre isso?
Já acordou e pensou "que diabos estou fazendo aqui???"
Essa merda não é de hoje e, pelo visto, vai ser a mesma merda de amanhã.
Sapiens sapiens tem esse poder: os Midas modernos de merda.
Até poderia dizer que está em nossas mãos, mas eu vejo que estão todos muito ocupados coçando os próprios sacos (até mesmo aqueles que, anatomicamente falando, não os têm).
A esperança é a última que morre, mas acho que é meramente por sadismo de nossa parte.
... mas que volta, aaaah, isso a gente volta!
A gente volta.
Calma.
(calma quem? Ninguém leu isso!)
E Sampa, hein?
Não há cidade que sobreviva mesmo com tamanha quantidade de sapiens Sapiens.
Essa crise, por mais assustadora que seja, só não esperava quem anda por aí de olhos fechados e de ouvidos tapados...
(ou tapados não são seus ouvidos, mas o ser como um todo...)
Lá vão eles, os Sapiens Sapiens, comemorar a própria burrice.
Tenhamos paciência, uma espécie tão absolutamente estúpida não pode durar pra sempre.
Somos primatas de outra estirpe.
Cansamos da espécie humana e de seus abusos reincidentes.
Cuidamos do que é nosso (e nosso, meu caro, quer dizer “de todos”).
Somos Neo-Neandertais Cyberpunks.
Naquele passado em comum, a natureza apostou as fichas no elaborado Homo Sapiens Sapiens, deixando a nós, Neandertais de boa qualidade, na mão.
De cá pra lá, este foi seu único erro, visto que esses sapiens nada têm para justificar seu nome.
Mas é tempo, ainda é.
Sorvemos contentes a tecno-cultura, resultado da evolução da espécie humana, mas não herdamos seus erros, regras opressivas. Arrancamos a casca suja que envolve o que há de bom nessa civilização decadente.
Estamos em movimento. Somos eco-terroristas de bandeira branca, positivos no lutar pelo que sobrou do nosso habitat. Somos delinqüentes amigos de toda a vida. Somos revolucionários na contramão, buscando o reencontro com o primitivo primaz.
Somos o macaco teclando do alto de sua árvore.
Somos o encontro bizarro (e possível) do mundo virtual com o mundo natural, da evolução consciente, do equilíbrio entre instinto animal e filosofia social.
Somos o outro caminho.
A raça humana, como a conhecemos hoje, está em franca extinção.
Nós vamos cuidar para que isto seja verdade.
Civilidade é um conceito morto no seio desta sociedade trôpega.
Mas nós redefiniremos o espaço social, o papel de cada um.
Somos malucos o suficiente para pensar nessas coisas.
Mais: somos apaixonados pela idéia de realizar nossos sonhos, de trazer alguma chance para a vida (qualquer uma) aqui no nosso planetinha errante.
Somos super-heróis sem capa, mas com objetivos nobres.
Somos uma nova raça.
Somos Neo-Neandertais Cyberpunks.
